sábado, 2 de junho de 2012

Alamo Leal carrega quarenta anos de estrada nas costas

Texto: Eugênio Martins Júnior
Fotos: Divulgação

Eu sou um cara que crio teoria pra tudo. Ou, pelo menos, para as coisas que eu acho que mereçam ser justificadas com uma teoria.
Por exemplo, porque, de uns anos pra cá, existe um crescimento das bandas de blues no Brasil? Na minha nada modesta opinião, é que a galera do rock está ficando mais velha e não tem saco para esse rock farofa que é feito hoje em dia. Então, o pessoal da minha faixa etária (mais de 40) e os que chegaram depois e realmente amam o rock das antigas, foram parar no blues, onde as guitarras continuam plugadas nos amplificadores valvulados e as letras continuam sem vergonha.
Não sei porque estou falando isso. Deve ser por que a entrevista a seguir é de um cara nascido no Rio de Janeiro nos anos 50, mas que se bandeou para Europa para ganhar a vida tocando os bons e velhos sons de Chicago e Mississippi e que hoje está na casa dos 60, mas continua mandando ver.
Em uma tarde chuvosa no Rio de Janeiro, conversei com o guitarrista Alamo Leal em uma chopperia Devassa lá em Ipanema.
Entre uma sarará, uma índia e uma ruiva, os iniciados sabem do que estou falando, foram quase duas horas de papo com o cara que tem muita história de estrada pra contar. Alamo não bebe e coube a mim a árdua tarefa de enxugar as tulipas.
Sincero, com bom astral e com uma pilha de histórias para contar (apesar de sua esposa ter acabado de sofrer um grave acidente doméstico), alguns trechos da entrevista de Alamo são marcantes pela forma crua a qual o cara expõe sua vida pessoal. Sem papas na língua, conta como a estrada devastou sua vida pessoal e a volta ao Brasil para o recomeço.
Durante mais de trinta anos no exterior, o carioca teve o privilégio de tocar com os grandes do blues de todos os tempos. A lista inclui Luther Allison, Clarence “Gatemouth” Brown, Albert Collins, Willie Kent e muitos outros. Com um excelente disco lançado em 2008, Alamo chega ao Brasil para ficar e já faz planos. Olha a entrevista aí embaixo. Exclusiva para o Mannish Blog.



Eugênio Martins Júnior – Conta como foi a sua infância no Rio de Janeiro.
Alamo Leal – Minha infância no Rio de Janeiro foi saudável, muito inocente. Nasci nos anos 50 e minha adolescência foi nos anos 60. Era praia, futebol na rua, crescendo em Copacabana, Leblon... o futebol sempre foi uma coisa importante pra mim. Comecei como atleta muito cedo. Comecei na escolinha do Botafogo com nove, dez anos. Fui atleta no período todo nos anos 60, mas engraçado que música já corria paralelamente. Antes de ficar familiarizado com Beatles e Rolling Stones, já estava conectado com Ray Charles e Fats Domino, música do sul dos Estados Unidos, New Orleans. Quer dizer o blues já era uma coisa que fazia parte de mim. Lembro vagamente que o Ray Charles tocou no Rio nos anos 60. Tem até um DVD. Não me lembro do ano exatamente. Naquele período estava muito envolvido com o esporte. Música que eu ouvia mesmo eram os Rolling Stones, que tinham aquela conexão com o blues de Chicago. McKinley Morganfield, no começo eles tocavam tudo. Quem era aquele McKinley Morganfield? Jimmy Reed, Bo Didley, Chester Burnett. Foi aí que eu comecei a ter interesse naquela conexão. Quem são esses caras? Aí eu descobri Chicago, estúdios Chess, 2120, South Michigan Avenue. E dali aquela coisa me capturou. 

EM – E a guitarra, como apareceu na tua vida?
AL –
A guitarra apareceu muito tarde... saí do Brasil em 1972 e me mudei para Londres. Em Londres eu tinha interesse em música, porque muitos músicos estavam morando lá naquela época. Sai numa leva, mais pela curiosidade de viajar, sair de casa. Do pessoal que eu cresci aqui no Rio de Janeiro, metade uma influência dos surfistas do Arpoador e a outra metade do pessoal do cinema e da música. Por exemplo, Caetano e Gil tinham sido exilados em Londres por causa de situações políticas. Daqui do Rio de Janeiro, alguns músicos já tinham ido para Inglaterra. Foi a minha escolha natural. Swinging London, 1969, e aquele negócio todo, festivais.

EM – Você foi ao festival da Ilha de Wright?
AL –
Não cheguei a ir, perdi a Ilha de Wright, em 1970. O meu amigo Arnaldo Brandão foi e viu o Hendrix pela última vez. O Gil tava lá a Gal tava lá também. Nessa época o Arnaldo estava envolvido com A Bolha e envolvido com a Gal e com o Gil. Era a época do Doces Bárbaros. Eu era amigo do pessoal da Bolha, conheci Os Mutantes, todos eles estavam morando no Rio de Janeiro. Mas eu era muito garoto, 17 anos. Mas fui para a Europa e passei trinta e três anos fora.

EM – Mas e a guitarra?
AL -
Apesar de ter comprado um violão acústico em 73 e aprendi as coisas básicas, três ou quatro posições...

EM – Sei, pra xavecar a mulherada.
AL –
É, me lembro que naquela empolgação da viagem deixei a guitarra com um grande amigo, o baterista Chiquinho Azevedo, que faleceu uns anos atrás, e o Gilberto Gil pegou o meu violão e ficou tocando lá em Londres. Pra amaciar, vamos dizer. (risos).
Foi mais ou menos entre 78 e 80 que eu decidi pegar a guitarra e aprender. Mudei para uma cidade à oeste de Londres chamada Bristol e foi lá que meu aprendizado saiu e minha carreira profissional começou.

EM – Você vivia do que?
AL –
Até então eu vivia de coisas diferentes, fazia trabalhos em obras, em restaurantes, entregas de mobílias para a Harold’s, que era uma loja lá em Londres, essas coisas todas que as pessoas fazem. Fui sobrevivendo e viajando. Quando comecei a tocar ao vivo, comecei a ganhar dinheiro e nessa época todo mundo que era bam bam bam na música tocava muito em Londres.

EM – Então você viu muito show em Londres.
AL –
Vi tudo o que tinha de ver nos anos 70. Nos anos 80 também. Com exceção de Hendrix. Com exceção de Coltrane. O resto pode botar a lista na minha frente que eu vi tudo. Estava até conversando com um garoto aqui no Rio que é louco pelo Stevie Ray Vaughan e disse a ele que vi o primeiro show dele em Londres, abrindo para o ZZ Top, quando a banda do Stevie ainda era um trio. Antes de botar o Reese Wynans no Hammond. Só ele o Chris Layton e o Tommy Shannon. E já tinha visto o irmão dele, o Jimmie Vaughan, tocando com o Fabulous Thunderbirds em 1978, abrindo para o Muddy Waters and the Legend Blues Band, com o Jerry Portnoy, Luther Guitar Johnson, Calvin Jones, Pinetop Perkins, Willie “Big Eyes” Smith. Perdi as contas de quantas vezes vi o Clapton. Em tudo quanto é formato. Foi um período muito produtivo e que me ajudou muito no meu crescimento musical. Observar como os caras trabalhavam, a produção. Eu sempre gostei de ouvir tudo, gosto de country music, muita coisa de Nashville. Pessoas como Gram Parsons que foi um grande nome da country music, escreveu músicas maravilhosas. George Jones, Tammy Winette, todo aquele pessoal de Nashville. Escuto muita coisa de New Orleans, muita gente não sabe, mas o Ray Charles tocou piano para músicos de New Orleans. Antes de virar Ray Charles ele era o pianista do Lowell Fulson.

EM – Então sua carreira musical profissional começou em Bristol?
AL –
Sim, naquela época a cidade era uma mina de ouro. Você podia tocar sete dias por semana.

EM – Você tocava blues no auge do punk rock?
AL –
O punk começou a ficar forte em 1979. Em 1982 atingiu o pico e depois apareceram os New Romantics. Duran Duran e essas coisas que eu nunca fui muito chegado. Bristol tem uma história forte. A cidade ficou como o quartel general do folk blues. Todo aquele pessoal envolvido com o folk inglês haviam se mudado para Bristol. No começo do boom britânico do blues. Muitos músicos ingleses não dão a importância necessária para a influência dos Rolling Stones no blues inglês. O blues inglês existe porque eles importaram o blues de Chicago e Mississippi para a Inglaterra.

EM – Sem dúvida eles foram os primeiros a falar nisso.
AL –
Em 62, 63, o blues estava morto nos Estados Unidos. Ninguém sabia quem era Muddy Waters. Os Stones trouxeram novamente esses artistas à tona.

EM – Depois disso muitos caras como Mississippi John Hurt, Skip James, Son House, Bukka White e outros reapareceram tocando no famoso Newport Folk Festival.
AL –
Esses caras vieram do country blues, mas influenciaram muito o Eric Clapton. É uma linha enorme do Mississippi, Fred McDowell, Robert Johnson. Tem também o pessoal do Mississippi que migrou para Chicago. Tenho influência do Skip James, sempre gravo alguma coisa dele. É um dos grandes artistas. Eu comecei no violão acústico. Guitarra elétrica pra mim foi muito posterior. Por isso,  penso que meu estilo é como se tivesse tocando violão acústico na guitarra elétrica. Uma forma muito crua.



EM – Voltando ao roteiro da entrevista, o que aconteceu depois?
AL –
Um momento muito importante foi em 1991. Fui para o Canadá a convite de um amigo meu que é um grande músico, um grande compositor, um grande blueseiro e foi uma grande influência, chamado Steve Payne. Devo muita coisa a ele, aprendi muita coisa com ele, estilo de violão acústico. No Canadá ficamos entre Toronto e Detroit. Foi quando tive a oportunidade de tocar com os músicos de Detroit. Toquei em clubes de blues com o primeiro guitarrista do John Lee Hooker chamado Louis Bo Collins. Passei oito meses fora da Inglaterra e quando voltei deslanchei. Nos anos 90 toquei direto, estava com três bandas e com carreira solo. Cheguei ao ponto de tocar 25 noites por mês. Em pubs, clubes, restaurantes, festivais. Em 1995 fiz uma turnê tocando guitarra com um guitarrista de Baton Rouge, Louisiana, chamado Larry Garner. Através dele fiz três shows como sideman do Clarence “Gatemouth” Brown. Clarence voltou para Baton Rouge e eu continuei com o Larry e de lá mudei para Paris, minha segunda casa. Tive várias moradias em Paris nos anos 80. Ficava dois meses e voltava para a Inglaterra. Em Paris cheguei a tocar com Luther Allison, Bernard Allison, Lucky Peterson, naquela época a cena de blues era muito rica. Igor Prado que o diga, ele esteve lá recentemente e nós conversamos sobre isso. Lancei um álbum na Europa em 1997 e entre 97 e 99 mais de duzentas noites ao ano eu estava na estrada. O que me custou muito caro no sentido pessoal. Meu casamento desmoronou, minha vida pessoal desmoronou. A influência de álcool e drogas em situações como essa pode ser uma coisa muito pesada. Derrapei feio. O que me custou um recesso total na minha vida particular. Em 2002 eu não estava mais em condições físicas em dar continuidade... foram sete anos, entre 95 e 2002, foram anos de estragos pesados. Depois entrei em recuperação em uma clínica. Tive de fazer um trabalho pessoal, recomeço total. E parte dessa mudança foi voltar ao meu país.

EM – Quando foi isso?
AL –
Foi em setembro de 2004. Não cheguei com intenção de fazer carreira no Brasil. Desfiz um contrato com a gravadora do meu primeiro álbum, o Rythm Oil. Inspirado no livro do escritor Stanley Booth, do estado da Georgia, trabalhou muito com os Rolling Stones nos anos 60. Só que o Rythn Oil não tinha o H na frente do Y. Esse livro foi muito importante porque tinha a influência dos artistas do Mississippi, Slepy John Estes e no geral. Esse CD me levou pra estrada por muitos anos. Então, foi quando voltei ao Brasil para aprender a ser brasileiro novamente, porque trinta e três anos fora é muito tempo. As coisas foram acontecendo aqui no Rio de Janeiro. Fui conhecendo os músicos, conheci o pessoal do Big Allanbik...

EM – Você via essa cena de blues no Brasil lá de fora?
AL –
Engraçado isso. Tinha um garoto que tinha uma revista em Londres que estava muito em contato com o Helton Ribeiro, da Blues n’ Jazz, o Val Tomato. E ele fez uma entrevista comigo, sobre um K7 que eu havia lançado com uns músicos ingleses de blues. Ele mandou essa entrevista e uma crítica para o Helton e ele publicou na Blues n’ Jazz. Em 1997 o Big Gilson entrou em contato comigo, mas 96 eu já havia conhecido a banda com o Ricardo Werther, Beto Werther, Ugo Perrota e eles estavam em um pique maravilhoso. Também me levaram para ver o Blues Etílicos, foi meu primeiro contato. Voltei para a Europa sabendo que estava acontecendo alguma coisa de blues no Brasil. Alguma coisa legal. Mas deixei pra lá porque a minha carreira estava muito pegada lá. Em 2005/06 voltei a trabalhar no Brasil. Não foi uma coisa planejada, aconteceu super naturalmente.

EM – Começou aos poucos aqui no Rio?
AL –
O Jefferson (Gonçalves) foi uma das primeiras pessoas que eu tive contato aqui. Ele me ajudou bastante naquele período, fiz um trabalho acústico com ele e com o Cléber Dias. Infelizmente não foi pra frente por diversas situações, o Jefferson viajando demais com a banda dele, eu tentando me adaptar. Conheci o pessoal do Blues Etílicos, o Otávio Rocha. Comecei a me envolver com os caras que na época ainda não se chamavam Blues Groovers (Ugo Perrota, Beto Werther e Otávio Rocha). Na verdade, o primeiro show como Blues Groovers foi comigo. Abrindo para a banda do Jefferson no falecido Estrela da Lapa. Até botei o Alan (Ghreen) que tocava no Big Allanbik que faleceu recentemente de forma muito triste. Foi meu debut no Rio de Janeiro.





EM – Em 2008 você lançou o CD Alamo Leal pela Delira Blues. Como aconteceu esse disco?
AL –
Foi através do conhecimento do Beto Werther e do Flávio Guimarães com o dono do selo Delira Blues, o Marcelo Pêra. O Blues Etílicos havia lançado o Viva Muddy Waters, o selo lançou o disco do Flávio Guimarães solo e instrumental, o Maurício Sahady lançou lá também, o Laundromat 335 e a banda já era os Blues Groovers. Já tinha ido ao Nordeste, fiz o festival Oi Blues by Night. Com o Lancaster Ferreira, o Big Joe Manfra. Até fiquei um pouco mais lá por que a minha família é toda daquela área de Garanhuns. Então a oportunidade apareceu. O meu álbum saiu um pouco daquele blues tradicional. De lá para cá abri mais no Brasil. Toquei em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, fiz o festival do Moinho da Estação no Rio Grande do Sul. Mas é aquele negócio, um passo de cada vez. O Brasil é um país tão imenso que as coisas demoram muito tempo para acontecer. Na Europa você tem vários lugares para tocar o tempo inteiro. Você consegue levantar uma carreira muito mais rápido do que aqui no Brasil.

EM – É que a música brasileira é muito forte e o blues não é nossa linguagem.
AL –
O blues não é popular. Não há público, quem gosta é uma minoria. Eu falo para meus amigos que eu tomei uma decisão importante quando eu voltei para o Brasil. Nunca mais depender somente de música pra viver. Eu fiz isso em 22 anos de carreira profissional da Europa. Eu me vendia em qualquer banheiro público pra ganhar uma merreca e pagar as contas. No final você fica como um robô por aquela glória de ser músico profissional. Isso pra mim não existe. Música é prazer. Se você não tem prazer tocando, se você vai sair de casa pra ganhar cinqüenta reais pra poder por um pouco de dinheiro na conta em um banco... mas sua vida pessoal está desmoronando. Desculpe, isso é coisa do passado. Para quem pode fazer é maravilhoso. Mas hoje em dia você tira um em quantos? Eu tenho uma família, filhos uma mãe que está morrendo em uma casa de saúde. Não escondo nada, não. É tudo na mesa. Se quiser editar, edita. Se quiser colocar tudo, tudo bem também. Eu dou aula de inglês. Quantas vezes eu tive de acordar às seis da manhã e ir pra Madureira e dar aula de inglês por quatro horas para não depender da música. Graças a deus eu consegui fazer uma carreira na Europa, por mais simples e humilde que seja eu sempre tenho trabalho lá. Meus álbuns vendem bem. Cada CD que eu vendo lá é quarenta e cinco reais.

EM – Como esse dobro da capa do CD apareceu na tua vida?
AL – Tive uma National (Steel) 1936 na minha mão por muito tempo na Europa. Caiu na minha mão através de contatos. Sempre tive uma paixão pela música do Delta: Fred McDowell, Son House, o pessoal todo que tocava a National Steel e comecei aprender aquele estilo de slide. E vendo pessoas tocar. Tive de vender pelo exato motivo que eu estava te falando, pagar conta. Mas jurei que teria outra. Voltei à Europa para fazer uns shows e numa cidadezinha no interior da Inglaterra, vi essa National na parede. Não é uma National original, mas foi feita pela fábrica, é uma National Country Man. Eu estava com um violão acústico Taylor e fiz uma troca. É esse instrumento que está aí na capa do disco. Várias pessoas já tocaram nele, o Otávio Rocha gravou um CD com o Flávio Guimarães. Resolvi usar muito nesse álbum, na verdade toco guitarra elétrica em duas faixas ou três. Deixei o trabalho de guitarra elétrica pro Otávio fazer. Talvez seja a razão da sonoridade desse álbum ser um pouco diferente de uma coisa elétrica.

EM – E como foi a escolha desse repertório?
AL –
Foi uma combinação de algumas coisas que eu já tocava ao vivo, músicas como Dallas e Hard Working Man. Algumas foram escolhas de estúdio, sempre quis fazer Muddy Waters e fiz Look What You’ve Done de um período bem cedo na carreira dele.

EM – Algumas delas têm um tratamento bem pop, outras uma levada stoniana. Concorda?
AL –
Algumas coisas eu dei um tratamento pessoal. Não foi uma coisa premeditada, foi muito natural. Foi semi ao vivo. Todas as guitarras e violões foram no primeiro take. Eu queria gravar uma balada e foi um momento que o Ricardo Werther, que estava afastado dos palcos há algum tempo, estava querendo voltar. Achei que ia cair perfeitamente e ele gravou Memphis in the Meantime, do John Hiatt, que é um compositor maravilhoso. É uma coisa meio country com Jackson Browne. Não é um álbum puro de blues.



EM – E o que vem agora? Você me disse que estava gravando.
AL –
Tenho dois projetos. Vou gravar um álbum elétrico esse ano. Tenho mais ou menos um projeto de blues de raiz, estou pretendendo gravar entre Rio e São Paulo. Mas primeiro na agenda, vou gravar esse álbum de blues de raiz com o Flávio Guimarães. National, violão acústico e gaita. Tive a oportunidade de fazer uns shows com o Flávio ano passado e já ensaiamos algumas coisas. O Flávio é um dos maiores profissionais com o qual pude trabalhar. Tenho muito respeito pelo trabalho do Flávio. As coisas que ele fez com o Igor Prado. E não somente, tive e oportunidade de trabalhar e gravar com muito gaitistas na Europa, em Chicago, e o Flávio tem uma posição como gaitista em nível global que não dá pra falar. Pra mim. Sempre o reconheci como um dos grandes. Tocar com ele é uma honra.

EM – Serão músicas suas?
AL –
Não, serão covers. Sempre achei que o repertório de blues de raiz é infinito. A escolha do material pra mim é a cosia mais importante para as bandas de blues no Brasil. Há tantas músicas que poderiam ser escolhidas e que não são. Talvez por conta do desconhecimento desse vasto material. Meus anos na Europa deram esse conhecimento. Se tiver que fazer três shows a partir de hoje a noite, posso fazer duas horas em cada show e todos os shows vão ser diferentes da noite anterior.

EM – E o álbum elétrico? Você vai pegar uns músicos em São Paulo?
AL –
Vou pegar em São Paulo e Rio de Janeiro, vou colocar as peças juntas e vai ser uma coisa bem Chicago. Aquele lance do Muddy, Little Walter, Wolf. E no outro lado vou usar sopro. Umas coisas mais suingue, mais balançadas, Memphis.

EM – Quais foram os melhores momentos dessa caminhada?
AL –
Estar com Clarence “Gatemouth” Brown no palco foi muito importante.

EM – Ele é meio chato, não é?
AL –
Nós fizemos um ensaio numa tarde e ele teve muito problema com o baterista da banda que não conseguia pegar algumas coisas. Teve um momento engraçado que ele mandou o baterista sair que ele ia tomar o lugar dele e mostrar como se fazia. Ele sentou na bateria e fez. O primeiro show que nós fizemos foi em Paris, mais de duas mil pessoas em um ginásio e teve John Lee Hooker, Billy Branch e nós fechamos. Esse foi um show muito emocional pra mim. Tive a oportunidade de dividir o palco com o Luther Allison em Paris. Também foi uma emoção enorme. Recentemente fiz o festival do Moinho da Estação e tive no palco o Rick Estrin and the Nightcats. Tocar com o Darryl Jones dos Rolling Stones. Não só tocar, mas gravar. Passamos com ele cinco dias e cinco noites, eu na National e ele no baixo. E ele tocando violão também porque ele nasceu em Chicago. Conversamos sobre a maneira como os Rolling Stones trabalham. Tocamos blues. Momentos maravilhosos. Toquei com um cara que é pioneiro em National Steel, Kent DuChayne. Ele viajou muito com o Johnny Shines que por sua vez foi companheiro de Robert Johnson. Kent acompanhou o Johnny até a morte dele. A minha influência de delta blues vem dessa área. Eu coordenava uma jam no House of Blues In Paris, no mercado das pulgas. Era sempre ás segundas-feiras e não era fora do normal aparecer o Luther Allison e o Bernard Allison. Em uma dessas noites eles levaram o Lucky Peterson. O Albert Collins entrou e tocou. A lista é enorme. Toda segunda havia um americano que estava passando por Paris que terminava na nossa blues jam.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O santista Mauro Hector expande sua música em todas as direções


Texto: Eugênio Martins Júnior
Fotos: Leandro Amaral

O cara é integrante das bandas Caviars Blues Band, Druídas e Crosstown Traffic. Em carreira solo, gravou três discos: Sonoridades, Atitude Blues e o mais recente, Retratos, lançado no final de 2011. Também gravou um CD com a banda Fast Fusion. Como professor, coloca no mercado uma legião de guitarristas de blues, rock e jazz.
Traçando sua trajetória da forma mais independente possível segue Mauro Hector, guitarrista canhoto, discípulo de Jimi Hendrix, morador de Santos.
Fiel ao blues, Hector vem consolidando seu nome na cena blueseira a custa de muito trabalho, seja tocando, gravando ou dando aulas diariamente em seu estúdio, em um apartamento na orla da praia. Sem contar os pocket shows, bares da vida e oficinas.
Nossos caminhos já se cruzaram algumas vezes na estrada. A primeira em 2006, quando produzi o show de Eric Gales em Santos. Hector abriu a noite com seu power trio e, aproveitando que já estava lá, convidei para uma canja ao final do show de Gales. A dúvida no backstage era o que tocar. Já que ambos são discípulos de Hendrix, dei a sugestão, que foi aceita, de fazerem Red House. São essas coisas que valem a pena viver no mundo da música. Nem é preciso dizer que Hector pulou no peito de Gales, que ficou ali no palco, meio sem entender nada.
Na segunda vez, produzi o lançamento de seu segundo disco, Atitude Blues. Show lotado no Sesc Santos com o trio em sua melhor forma. As fotos desse show ilustram essa entrevista. A terceira foi na Mostra Blues 2009, onde Hector ministrou uma oficina de guitarra no blues e participou como convidado do show da Caviars. Meses depois, com a saída de Xilo Moretti, Hector acabou sendo convidado para integrar a banda.



Eugênio Martins Júnior – Como e quando você começou tocar guitarra?
Mauro Hector –
Comecei a tocar em 85. Tinha um guitarrista que tocava em uma banda, mas não me deixava ir ao ensaio. Espera aí... uma vez fui com os amigos no cinema e um amigo demorava para andar porque tinha um problema na perna. Na porta do cinema, não me lembro se era o Iporanga 1 ou 2, estava passando o Let There Be Rock, do AC/DC. E nós achamos que o pessoal tinha entrado nesse filme e entramos também. Eu saí de lá guitarrista.
Foi o primeiro susto que eu tomei com a música. Logo em seguida veio o Rock In Rio, em 1985. Isso foi muito importante porque vieram várias bandas, com ótimos guitarristas e eu já estava muito influenciado pela cena do heavy metal no Brasil. Havia visto o Santuário e tal. Aquele cara da minha classe tocava em uma banda chamada Druídas. Essa banda era formada pelo Plínio Romero, que até hoje é o baterista oficial. Eu sempre pedia para ir ao ensaio, mas ele nunca dava bola pra mim. Aí um dia eu descolei um (pedal) wha wha e quando eu disse que tinha um ele me convidou para ir à sua casa fazer um som.

EM – Mas você é autodidata?
MH –
Comecei a tocar em 85, mas me desenvolvi rápido. Antigamente vendia uns posters nas bancas, da (revista) Somtrês, e eu comprei um que era escrito pelo Theo Godinho, falecido até, que era da banda Jaguar. Era um pôster que tinha entrevistas com Frank Zappa, Angus Young, B.B. King, vários guitarristas, como eles aprenderam a tocar e tal. Do outro lado tinha um monte de escalas de blues, acordes, e eu botei na parede e decorei aquilo tudo. Aí comecei a improvisar. Tinha escala maior, um monte de coisa importante pra começar. Logo depois fui estudar com o Rafa, da loja de discos. Estudei também com o Alexandre Birkett e com o Mozart Melo.

EM – O Rafa da Blaster?
MH –
É, ele foi professor de vários músicos da Baixada Santista. Ele já gostava muito de blues. Ele me ajudou. Ele dava aula na semana toda, antes de ter a loja. Na verdade ele parou de tocar antes de abrir a loja. O pessoal do Mr Green passou na mão dele, muita gente estudou com ele. Ele tinha uma Les Paul e a molecada ficava louca. Ele tem essa guitarra até hoje.


EM – É engraçado que todos os blueseiros brasileiros começaram pelo rock.
MH –
É eu comecei pelo heavy metal, mas nos anos 80 era Black Sabbath, Deep Purple, Motorhead, Led Zeppelin, AC/DC e todas essas bandas tinham influência do blues. Isso tudo a gente chamava de heavy metal, depois é que eu fui entender que era rock and roll. Então, eu era blueseiro e não sabia. Já tocava aquelas frases de blues que os caras faziam. Aí eu fui ouvir o que eles ouviam.

EM – O Druídas já existia?
MH -
O Druídas existia há poucos meses. O Luiz que era o guitarrista era da minha classe. O Marcelo, baixista, ficou pouco tempo, foi substituido pelo Zuzo Moussawer. Então, quando fui fazer aquele som, eles ficaram impressionados com o que eu toquei. O Luiz acabou saindo Eu, o Plínio e o Marcelo seguimos. O Plínio foi para o vocal e bateria. Essa formação durou alguns anos. A gente fazia heavy metal em português. Fizemos um show no Circo Marinho com a abertura do Pactus Fire, do Tarso Carnal. Depois tocou o Druídas e depois o Angel. Isso em 87.
Nessa época houve uma transição. O Marcelo se interessou por black metal, um som mais pesado, mas a gente queria ir mais para o rock and roll. Foi quando conheci o Zuzo (Moussawer) e ele entrou na banda, no show do Circo Marinho ele já estava. Eu fui me apaixonando cada vez mais pelo rock and roll do Golpe de Estado, A Chave do Sol. E foi aí que eu saquei que tinha de entender o rock antigo para entender o que a gente estava fazendo. Do AC/DC ao Chuck Berry. Do Chuck Berry ao Muddy Waters. Aí a gente virou uma banda de blues.

EM – E nessa época havia muita banda de rock farofa que era legal, como o Styx, Slade, Journey...
MH –
A gente ouvia tudo isso. Lembro de colocar o disco do Journey e tocar junto, fazendo improvisos. O Neal Schon é bom pra caramba, tem um disco dele chamado Piranha Blues. Lembro de ter ouvido muito tudo isso e do rock para o blues foi um passo. Nessa época aconteceu o boom do blues brasileiro. Começou a aparecer o primeiro disco do André Christovam, que era com o Alaor Neves na bateria.



EM – Nessa época Os Druídas estavam ativos?
MH –
Sim, a gente nunca parou entre 1985 e 1996. Demos um tempo em 1996. Voltamos com a mesma formação de 1996, a formação mais blues de todas: o Marcos Paulo no baixo e vocal, o Plínio Romero na bateria e eu na guitarra.

EM – Porque a banda nunca gravou?
MH –
A gente até pensou, mas não conseguiu realizar. Também quando a gente começou era mais difícil e aí demos aquela parada. Estúdio era caro... depois que a banda parou eu comecei a produzir os meus CDs. Eu sempre quis fazer discos. Atualmente não estamos com a preocupação de gravar. Estamos curtindo o momento, mas vai chegar a hora de gravar um disco.

EM – Em uma conversa anterior a essa você me falou que os artistas têm de procurar gravar sempre que pode. Tanto é verdade que você já está no teu terceiro disco solo custeado por você. Fale um pouco sobre isso.
MH –
Já são mais de 25 anos de guitarra e nesse tempo a gente vai compondo. Paralelo a isso, havia a necessidade de desenvolver uma carreira para daqui a alguns anos e poder dizer que tem uma história. E o disco é um registro do momento do artista, como ele pensa, como ele está tocando naquele momento. O Sonoridades foi o primeiro CD, onde eu pude homenagear as minhas influências, os músicos que tocaram comigo. Então se eu não gravo não estou feliz. Tenho que produzir e botar pra fora os riffs que estão na minha cabeça. Se eu tivesse a possibilidade gravaria um disco a cada seis meses facilmente porque aparece muita idéia. Estou o dia inteiro com a guitarra. Desde 85 eu não fiz outra coisa na vida a não ser tocar guitarra. 


EM – Você falou que cada disco registra um momento do artista. Fale sobre cada um deles.
MH –
Nos três discos procurei seguir as minhas influências. Se a gente for ouvir e falar o que tem em cada um vai perceber que todos têm jazz, blues e rock. E tem música brasileira por parte dos artistas que eu sempre ouvi que é Hélio Delmiro, Heraldo do Monte, Nelson Faria, Alexandre Birkett. Todos estão presentes. A primeira música do último disco, Retratos, é um shuffle bem bluesão, bem pesado até. Tem uma música que eu fiz para o AC/DC também. E tem momentos mais fusions como Diálogos, que gravei com uma guitarra SG 1968, quis fazer uma levada Eric Johnson. Balada pra Ana é meio Jimi Hendrix. Tem bastante blues também, Estrada... o que falta nos últimos dois discos que tem no primeiro é um country, no primeiro tem Pé de Moleque e nos outros não tive essa inspiração.

EM – Você falou também que se pudesse gravaria a cada seis meses. Mas é impossível, você é que banca os teus discos, não é?
MH – E nem tenho tempo. Não sou endorse de instrumentos, de cordas e de nada. Acho que isso tem de vir da empresa e não eu ficar pedindo, não acredito muito nisso. Então vou produzindo. Por enquanto quem me patrocina são meus alunos de música, os shows que eu faço e minha família que sempre apoiou.

EM – Você dá aula todos os dias?
MH –
Sim, de segunda à sexta e aos fins de semana tenho workshops e masterclasses. Tenho uns cinqüenta alunos semanais.


EM – E dá pra viver só dando aula?
MH –
Vivo dos meus shows e das minhas aulas. Dou aula desde 88. Não quero parar porque gosto, me mantenho estudando. Tenho um material pronto, mas minhas aulas têm muita coisa criada na hora. Às vezes sai uma idéia para um blues na hora e eu gravo pra poder entrar no disco.

EM – Como foi a tua entrada na Caviars Blues Band. Lembro de ter te convidado para abrir para o Eric Gales em Santos e logo depois para uma participação no show da Caviars na mostra blues que eu produzi. Depois disso o Xilo Moretti saiu da Caviars e você entrou. Como foi esse convite?
MH –
A EM&T abriu uma unidade em Santos e eu fui fazer uma entrevista pra dar aula. E quem fez a entrevista foi o Alaor Neves que era o coordenador na época. Isso aconteceu dois ou três meses antes do show na Mostra Blues. Eu disse pra ele que tinha visto muito show do André Christovam com ele na bateria. Lembro que cheguei a levar até uma fita cassete do Druídas pra ele. O Alaor me convidou para tocar no show da Caviars que você produziu no Sesc dizendo que ia ser legal pra escola também. Vocês me convidaram no mesmo momento para esse show.

EM – E você ainda fez uma oficina dentro da Mostra Blues 2009. Isso foi à tarde. No mesmo projeto o Big Joe Manfra fez uma de guitarra também e o Márcio Scialis fez uma oficina sobre gaitas e um pocket show com Os Harmônicos. Os shows foram o Big Joe Manfra, o Big Gilson e a Caviars Blues Band.
MH –
Fiz a jam com os caras que foi muito divertida. O Guappo já havia me visto tocar em um bar com o Marcos Paulo, com uma banda que a gente tem em São Paulo chamada Crosstown Traffic. Alguns meses depois o Xilo teve de sair e eles me ligaram e perguntaram se eu poderia assumir as guitarras. Eu disse que achava que sim por causa do meu volume de trabalho. Mas acabei indo. É uma honra tocar com os caras, porque eles tocam muito bem. O Guappo é um grande músico e profundo conhecedor de blues e jazz. Ele está sempre me dando CDs. Ele curte muito o Django Reinhardt e me fez voltar a ouvi-lo. Ele toca algumas coisas do Django no violão. O Fernando Chui, que é amigo dele é especialista em Django e a gente sempre faz um som. O Ney tem uma história e faz parte de uma puta banda chamada Mobilis Stabilis. E o Alaor, como eu falei, já era fã dele e o acompanhava de várias gravações. Ele tocou com o Guilherme Arantes e eu também trabalhei com ele, mas em épocas diferentes.

EM – Qual é a tua participação no disco novo, o Merlot?
MH –
Tem uma música minha chamada Eu Sei. As outras eu participei de toda a criação dos arranjos. Nas letras não participei, não que eu não goste, mas algumas coisas já estavam prontas. Nesse CD temos vários parceiros, o Lee Marcucci (Tutti Frutti, Rádio Taxi), Hélcio Aguirra (Golpe de Estado), o Fernando Chui, com uma composição muito legal que ele participa cantando. Tem a participaçãp do Luiz Carlos Pereira de Sá (Sá e Guarabira) e do Cezar de Mercês (O terço). Estou muito contente com o trabalho que a gente fez.


EM – Qual é a tua participação no Fast Fusion?
MH –
É uma banda de Araçatuba cujo mentor é o Daniel Freitas. Conheci o Daniel há um tempo na casa do baterista Alex Reis que hoje está no Circo de Soleil. O Alex mostrou algumas gravações para o Daniel que se interessou pelo guitarrista. Eu havia acabado de gravar o disco do Alex, o Arueira. O Daniel também tem um blog de música e me entrevistou por causa do disco Sonoridades. O Fast Fusion tirou as minhas músicas sem eu mandar nada, nenhuma partitura e daí um dia eles me ligam e diz pra eu ir pra lá que já havia um show armado. Depois os caras me convidaram para participar do CD como integrante. “Mas como assim, eu estou longe”. Ele disse que gravariam e me mandariam para eu gravar em cima. Aí pediram pra eu mandar uma música e a gente regravou Tava na Hora, do meu primeiro CD. Fizemos uma versão mais pesada, com distorção. E fizeram uma homenagem pra mim em uma música chamada Hectoriando, brincando com a minha Hendrixiando. É um blues composto pelo Christian Freitas, lembra um pouco a Lazy do Deep Purple. O lançamento foi no Teatro Municipal de Araçatuba.

EM – Então você dá aulas todos os dias, participa da Caviars, dos Druídas, Crostown Traffic e Fast Fusion?
MH –
É, a Crostown Traffic foi fundada pelo Marcos Paulo. O baixista é o Mauro Vagner e o Dino Verdade, do Bateras Beat, na bateria. A proposta é tocar classic rock, Bad Company, Jimi Hendrix, Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, essas coisas.

EM – Como você classifica a sua música, blues rock?
MH –
Eu não consigo e não gosto de colocar esses rótulos. Eu escuto todos os tipos de blues. Pra mim tudo é blues, desde Jimmy Smith, B.B King, Robert Johnson, Robert Cray, Joe Bonamassa. Não vejo muita diferença. Têm dias que estou mais blues roots, têm dias que estou mais moderno.

EM – Como assim não tem diferença? Claro que tem diferença entre os caras que gravavam nos anos 40 e 50 dos caras modernos, estilo Joe Bonamassa.
MH –
Mas quando eu toco não consigo ver essa diferença. Eu não falo assim: “Vou fazer um blues tal”. Eu toco. É assim que eu entendo. E às vezes eu percebo frases ou linguagens do jump blues, ou Chicago. Tive um duo com o gaitista Alexandre Brito que tocava só Big Bill Broonzy, Robert Johnson, só roots mesmo e a gente chegou a tocar em lugares que não aceitavam isso, mas a gente fazia a noite rolar. Tocávamos My Babe e tal. Foi na época que o John Hammond Jr veio aqui em Santos, aquilo foi muito legal. Vê-lo fazer essa linguagem foi muito importante pra mim. A gente mudava a afinação dos instrumentos pra fazer aquele som grave.

EM – Como você vê a cena blueseira atual? E em Santos? Quem está fazendo um blues legal aqui? Tem um garoto chamado Filippe Dias que sempre está aprontando alguma.
MH –
Olha, devo ter falado com o Felippe alguma vez, porque muita gente me manda muita coisa. Mas ao vivo não vi. Mas já me falaram dele. Tenho vários alunos bons, o Rafael Gomes, o André Nardelli, o Ronaldo Aguiar, fã do Johnny Winter, Stevie Ray Vaughan e canta legal também. Tem o Edson Vieira, ex-aluno, é conhecido como Ed Blues, de São Vicente. O Maurício Rocha está montando um trio muito legal. São pessoas que gostam de blues e estão montando seus projetos lentamente. Aqui na Baixada Santista sempre foi muito difícil viver de música. Ou no Brasil. Eu sempre fui muito teimoso. Pra mim, ter uma pessoa na platéia é igual ter duzentas. É mandar ver e tocar o melhor que se pode. Então sempre recebo e-mail de pessoas de todas as partes reconhecendo essa luta pelo blues.

EM – E a internet é uma ferramenta poderosa também.
MH –
Invisto muito nisso. Tenho uns trezentos e poucos vídeos no meu canal do Youtube. Tem várias fases do meu trabalho, inclusive aquele show que a gente lançou o Atitude Blues no Teatro do Sesc.


EM – Porque você não compõe letras?
MH –
Eu tenho, sim! A gente gravou no Druídas. Tem uma coletânea com várias bandas de Santos chamada Sons Da Cidade que tem um blues meu, chama Fluir o Blues, letra e música são minhas, o Marcos canta. A gente toca um monte de músicas com letra que a gente espera gravar. Esqueci de falar da banda Ease, muito importante. A gente compôs muita coisa. Gravamos um CD/DVD, mas não lançamos, está parado.

EM – Todos os teus CDs são independentes. Todos os custos são bancados por você. Como você desenvolve isso sozinho? De acordo com um bom padrão de qualidade, quanto se gasta pra gravar um CD?
MH –
Olha, depende o tempo que você passa no estúdio. Eu prefiro confiar em um estúdio. Meus dois primeiros CDs gravei com o Airton Boca. Foi fantástico gravar com ele que entende muito de guitarra. O terceiro quis fazer em outro lugar, outro ambiente. Então escolhi o Flávio Medeiros. A gente estava tocando muito juntos no bar Tahiti, no Guarujá, substituindo o Cláudio Celso que estava viajando. Fiquei uns dois anos tocando standards com o Flávio. O estúdio é muito bom. Sempre gravamos ao vivo no estilo antigo, nada de overdubs. Tudo no primeiro take, segundo no máximo. Sem muita emenda. O que sai mais caro é a prensagem. Gravação nem é tanto. Não fico rodando a lâmpada muito, não. O mais caro é a produção, uma arte legal, a parte executiva, CRC de cada música, registro de cada composição. Essa parte burocrática, que as pessoas nem pensam nisso, vai a maior parte da grana.  

EM – Falando nisso, e o ECAD, você ganha alguma grana?
MH –
Até hoje não veio nada. Eu pago, mas não veio. E minha música já tocou em rádio pra caramba.

EM – E a OMB, você concorda com as cobranças ou até a existência do órgão?
MH –
Olha, muita gente discorda da Ordem e não paga e está em seu direito. Cada um tem sua opinião. Eu prefiro pagar pra poder trabalhar e não ter dor de cabeça. Prefiro que tenha um órgão que regulamente essa história do que tirar ele de vez. Prefiro até que façam melhorias no que já tem. Tem de limpar tudo. Vamos botar limites. Ninguém da ordem dos músicos vai cobrar nos bares pra ver se quem está tocando é músico mesmo. Isso é desleal e isso a Ordem não cuida da gente. Nos Estados Unidos é tudo mais organizado. Eles organizam até agenda.


EM – Você sabe que a OMB tem uma estrutura jurídica que você pode usar?
MH –
Não sei, nunca usei. Não acho que tenha uma funcionalidade. É mais um documento que você tem. Por exemplo, os Sescs obrigam você apresentar esse documento se não você não toca. Então eu prefiro ter. Mas existem coisas que podem melhorar.

EM – Vamos falar de coisa boa. Estamos rodeados de instrumentos. Aqui tem uma guitarra Squier, uma Tagima e uma Gianini. Todas elas imitando o modelo Stratocaster da Fender. Quantas e quais guitarras você tem?
MH –
Tenho uma Fender anos 80, a mesma que está na capa do Retratos, essa eu toquei a vida inteira. No meio dos anos 80 eu comprei uma Gibson SG, ano 1968. No último disco eu gravei com ela também. Toco em alguns shows, mas deixo mais em casa. Tenho uma semi-acústica Staag 013 para jazz, aquelas levadas Wes Montgomery. Também usei no disco novo, na música Pura Inspiração. Tenho uma 335 Ibanez, parecida com aquela do Larry Carlton, B.B. King, cópia da Gibson. Uso pra tocar umas coisas mais Ten Years After, gosto de usar com (pedal) overdrive que fica legal. Tenho uma Telecaster Lee, que é um luthier de Santos e que me apoia. Essa é pra tocar Country. Tenho outra do Lee, Strato com uma cor chamada Surf Green, modelo que o Jeff Beck usava nos anos 80. Uma Strato com dois captadores Di Marzio e um Fender no meio. Uma outra Fender Sunburst. Devo ter umas dez guitarras. Amplificador eu uso um fender Twin Reverb e um Mesa Boogie TC2.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Suicidal Tendencies, Popa Chubby, Gilberto Gil, bêbados e mijo: o melhor e o pior da (minha) Virada Cultural


Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

Tenho interesse por todos os gêneros musicais, por isso, é muito difícil escolher as atrações na Virada Cultural. Gostaria muito de ter visto os shows de McCoy Tyner Quartet e Raul de Souza e Zimbo Trio no palco República. Ou Bixiga 70 no palco da Júlio Prestes. Ou Man Or Astroman no palco da Barão de Limeira.
Mas morar longe faz a diferença, então, levei em conta o "custo benefício" de sair de Santos com aquele frio, pegar estrada e ficar horas em pé e sem colocar alguma coisa decente no esômago por horas. Me contentei em ir no domingo para os shows do Suicidal Tendencies, às 9h30, no palco da São João, Toots and the Maytals, The Abyssinians, Popa Chubby e Gilberto Gil.
Com o Suicidal, local lotado. Como uma banda de heavy metal (ou crossover, speed ou sei lá o que) que fez história nos anos 80 merece. Foi realmente emocionante ouvir os caras tocarem ao vivo seus clássicos: Possessed To Skate, War Inside My Head, Institutionalized. Por parte da banda foi um showzaço, mas  com um som bem meia boca. De longe dava para ouvir mais ou menos. Podia estar melhor. É imporessionante como os jovens brasileiros estão mais mau educados e consumindo muita bebida alcóolica. Acho que as duas coisa têm alguma relação.
A polícia ficou de fora, o que porporcionou liberdade aos vandalos que foram arrumar confusão a toa. Vi muitas brigas arranjadas por um mesmo grupo de jovens. Um deles puxava briga e os outros chegavam por trás já batendo. Muita covardia. Como diria o Bezerra da Silva: sozinhos andam rebolando e até mudam de voz.
Saí do show do Suicidal Tendencies em direção ao palco da praça Júlio Prestes para assistir ao show da lendária banda jamaicana, Toots and the Maytals, às 13h. No caminho uma cena de horror. Em uma das travessas que ligam os dois palcos mais de duzentos dependentes de crack amontoados como zumbis. A polícia ao largo, só observava. Enquanto milhares de pessoas se ocupavam em se divertir, outras tantas se ocupavam em morrer. Uma cena triste que vai marcar para o resto da vida.
Já era duas da tarde quando o José Manuel subiu ao palco para avisar que a Toots and the Maytals não faria seu show. A essa altura, o sol estava a pino desde 11 da manhã. Centenas de rastafaris já haviam se posicionado em frente ao palco para se deleitar com a banda jamaicana. A organização do evento mandou um zé mané dar o recado que a banda havia ficado na Jamaica, "onde eu gostaria de estar"disse, e que havia cancelado o show na sexta-feira. Espera aí! Se a banda havia cancelado na sexta, dia 4, porque então só resolveram avisar que não tocariam com uma hora de atraso no domingo? Que história mal contada. Se a organização sabia que o show não ia rolar, deveria comunicar a audiência sempre ao final de cada show daquele palco. Não é porque os shows são gratuitos que não deva haver respeito pela popuplação. Com essa espera, perdi o show dos Titãs no palco da São João que, do palco Júlio Prestes é só cinco minutos andando.
Enquanto não dava a hora do Popa Chubby, assisti um pedaço do show da banda argentina La Renga, um hard rock competente, mas nada demais, e da banda/brincadeira Brothers of Brazil (com Z, será que o Supla quer ganhar o mercado internacional?). Sempre é legal ouvir Garota de Berlim... e só.


Ted Horowitz subiu ao palco dentro do horário, às 16 horas no palco da Barão de Limeira. O cara mostrou porque é considerado um dos principais nomes da atual cena blues de Nova Iorque. O visual tradicional, uma bandana na cabeça um colete preto e sua Fender Stratocaster detonada que ele, por pouco, só não faz falar. A primeira vez que pisou em um palco brasileiro foi com um power trio. Entre os temas apresentados, Hey Joe, The fight is On, Right On, e uma versão matadora de Somewhere Over the Rainbown que registri em vídeo e em breve disponibilizo aqui no Mannish Blog.
Finalmente, o show do Gilberto Gil fechando a maratona. O que dizer do cara que coloca em uma mesma apresentação as músicas Realce, Palco, A Paz, Drão, A Novidade, No Woman No Cry, Is This Love (ambas de Bob Marley), Toda Menina Baiana, Vamos Fugir, Nos Barracos da Cidade e tantas outras maravilhas. Gente saindo pelo ladrão e se divertindo a valer.
Esse ano parace que a produção da Virada Cultural desaprendeu a fazer ou fez nas coxas. Digo isso porque andei por vários palcos e vi muita coisa errada. Começou com a divulgação das atrações em cima da hora. Nos dias do evento, o  cheiro de urina perto dos banheiros químicos estava tão forte que chegava a incomodar de longe. A limpeza desses banheiros devem ser feitas com maior periodicidade. Pelo que vi, a Polícia Militar agiu direito em alguma situações, mas ficou ausente nas aglomerações, dando espaço aos briguentos e aos ladrões de carteira que fizeram a festa impunemente. O lance do show do Toots and the Maytals foi surreal. Nunca vi isso acontecer.
Vi muitos jovens jogados no chão por causa de bebida e um deles saiu de ambulância com coma alcóolico. A maconha que essa rapaziada fuma hoje em dia é muito fedida, química pura. O Sr prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, desmentiu que os jovens se embebedaram mais nessa Virada Cultural, mas eu não o vi em nenhum show. Acho que ele devia estar mais presente nos eventos ou instruir os seus assessores a elaborar melhor suas declarações. Assim não passaria esse ridículo. Mas acho que isso não o incomoda. Vai um recado para o dignissimo e à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo: planejamento é tudo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Rio das Ostras Jazz e Blues, o melhor festival do jazz e blues do país chega aos dez anos

Romero Lubambo - Rio dasOstras 2007
Apontado como um dos melhores festivais do gênero no país, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival completa dez anos como um modelo a ser seguido.
Em 2012 o evento acontece entre os dias 06 e 10 de junho, e conta com uma seleção dos melhores instrumentistas e intérpretes da atualidade, alguns até já passaram pelo balneário carioca nas edições anteriores do festival ao longo de uma década.
As atrações se apresentam em quatro palcos montados ao ar livre e espalhados pela cidade: Praia de Costazul, Lagoa de Iriry, Praia de Tartaruga e Praça São Pedro.
O festival é realizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio, com produção da Azul Produções e entrou para o calendário oficial de eventos da Secretaria de Estado de Turismo devido a sua importância.
Este ano o quarto palco na Praça São Pedro se consolida como o espaço dos novos talentos do jazz e do blues nacional.  Serão 29 shows gratuitos e mais de 60 horas de boa música, com apresentações às 11h15 (Praça de São Pedro), 14h15 (Lagoa do Iriry), 17h15 (Tartaruga) e 20h (Costazul).

Fotos: Cezar Fernandes


Programe-se:

Quarta 06
Abertura no Palco Costazul às 20h
Orquestra Kuarup
Big Band 190
Hélio Delmiro
Celso Blues Boy

Quinta 07
Praça São Pedro 11h30
Gabriel Leite
Lagoa de Iriry 14h15
Celso Blues Boy
Praia da Tartaruga 17h15
Mike Stern/Romero Lubambo -
Palco Costazul 20h
Plataforma C
Maurício Einhorn
Kenny Barron
Michael Hill

Sexta 08
Praça São Pedro 11h30
Big Bat Blues Band -
Lagoa de Iriry 14h15
Roy Rogers -
Praia da Tartaruga 17h15
David Sanborn
Palco Costazul 20h
Armand Sabbal-Lecco
Duke Robillard
Mike Stern/Romero Lubambo
Big Time Orchestra

Sábado 09
Praça São pedro 11h30
Artur Menezes
Lagoa de Iriry 14h15
Michael Hill
Praia da Tartaruga 17h15
Armand Sabbal-Lecco -
Praia de Costazul 20h
Cama de Gato
Billy Cobham
David Sanborn
Roy Rogers

Domingo 10
Praça São Pedro 11h30
Fabiano Costa -
Lagoa de Iriry 14h15
Duke Robillard -
Praia de Tartaruga 17h15

Billy Cobham

Roy Roger - Rio das Ostras 2007

As atrações

David Sanborn - Um dos saxofonistas mais bem sucedidos comercialmente desde os anos 80, David Sanborn lançou 24 álbuns, ganhou seis prêmios Grammy e teve 8 álbuns de ouro e 1 disco de platina, tendo inspirado inúmeros outros músicos.
Sanborn trabalhou em vários gêneros que misturam pop instrumental, R&B, mas ultimamente tem se dedicado mais ao jazz tradicional. Como terapia, foi apresentado ao saxofone após ter contraído poliomielite aos três anos de idade. Aos 14 anos, foi capaz de tocar com lendas como Albert King e Little Milton. Depois de viajar para a Califórnia aconselhado por um amigo, juntou-se à Paul Butterfield Blues Band e tocou em Woodstock. Lançou seu primeiro álbum solo, Taking Off, em 75. Através dos anos  trabalhou com Stevie Wonder, Rolling Stones, David Bowie, Gil Evans, Paul Simon, James Taylor e Eric Clapton, entre outros. Continua a ser um dos músicos mais influentes de seu gênero, com mais de 150 shows por ano.

Roy Rogers & The Delta Rhythm Kings - Roy Rogers é considerado um dos melhores guitarristas de slide. Com oito indicações ao Grammy como produtor e intérprete, é também um produtor internacionalmente aclamado, tendo produzido gravações para John Lee Hooker e Ramblin 'Jack Elliott. Recebeu várias homenagens por suas composições, bem como o seu trabalho em trilhas sonoras de filmes e televisão. Lançou Split Decision em 2009 com os  The Delta Rhythm Kings e em maio de 2011 lançou Translucent Blues com o tecladista do The Doors, Ray Manzarek, alcançando o número um  na American Roots Rock Chart. Como produtor e compositor, Rogers gravou com Carlos Santana, Bonnie Raitt, Linda Ronstadt, Norton Buffalo, Steve Miller, Sammy Hagar, Ray Manzarek e muitos outros.

Kenny Barron - A capacidade inigualável de Kenny Barron de hipnotizar o público com seu jeito elegante de tocar melodias sensíveis e ritmos infecciosos é o que inspirou o Los Angeles Times a nomeá-lo "um dos pianistas de jazz tops no mundo".
Barron nasceu em 1943 e na adolescência começou a tocar profissionalmente com a orquestra de Mel Melvin. Trabalhou com Astros de primeira grandeza do jazz, entre eles, o baterista Philly Joe Jones (Miles Davis), Roy Haynes, Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, Stanley Turrentine, Milt Jackson, Buddy Rich, Ron Carter e Stan Getz. Foi na banda de Dizzy que Barron desenvolveu uma apreciação pelos ritmos latinos e caribenhos.
Suas gravações próprias para a Verve lhe renderam nove indicações ao Grammy. O CD Canta Brasil (Universal França) ligou Barron com o Trio da Paz. Em 2005 foi introduzido no American Jazz Hall of Fame ganhou um MAC Lifetime Achievement Award, além de receber seis vezes o prêmio de melhor pianista pela Jazz Journalists Association.

Maurício Heinhorn - Carioca nascido na Lapa em 1932 e criado no Flamengo, praticamente trocou as fraldas pela gaita. Aos cinco anos de idade ganhou uma gaita de boca de seus pais, adeptos do instrumento. O repertório, valsas vienenses, especialmente as de Johann Strauss. Iniciou-se profissionalmente como músico em 1947, no programa das Gaitas Hering da Rádio Tupi. Antes disso, aos treze anos de idade, já se apresentava em programas da Rádio Nacional. Realizou, em 1949, sua primeira participação profissional em estúdio, com o conjunto de harmônicas Brazilian Rascals, como solista do tema Portate Bien. Em 1972, a convite de Sérgio Mendes, mudou-se para os Estados Unidos, onde se apresentou com os jazzistas Jim Hall, Ron Carter, Toots Thielemans, Nina Simone e David Sanborn. De volta ao Brasil, formou um duo com o violonista Sebastião Tapajós e um trio com Arismar do Espírito Santo e Hélio Delmiro. Tocou e gravou com a Johnny Alf, Leny Andrade, Paulo Moura, Chico Buarque, Baden Powell, Elizeth Cardoso, Tom Jobim, João Donato e Eumir Deodato. Gravou seu primeiro disco solo somente em 1975, The Oscar Winners. Teve participação marcante na Bossa Nova e só não atuou no famoso concerto no Carnegie Hall, em Nova York, porque coincidiu com a data do seu casamento.O primeiro número apresentado por Sérgio Mendes e seu sexteto, no referido concerto, foi justamente Batida Diferente, de Einhorn e Durval Ferreira.

Billy Cobham - Desde sua descoberta no início dos anos 1970 como um membro fundador da famosa Mahavishnu Orchestra, o baterista, cujas gravações e estilo vigoroso e complexo exercem uma forte influência sobre o jazz e jazz- rock, manteve-se um incansável explorador musical. É um dos maiores e mais influentes bateristas do mundo. Ex-integrante da banda do Miles Davis, foi um dos primeiros músicos a misturar o jazz com o rock.
Panamenho, criado em NYC e residente há 25 anos em Zurich, Cobham já trabalhou e gravou com alguns dos principais músicos do mundo. Com mais de 35 discos gravados como líder e mais de 200 participações em trabalhos dos mais diversos artistas; além das atividades como gravações, produções e workshops, ele tem viajado o mundo com a Billy Cobham Band, formada por músicos de diferentes países da Europa.

Mike Stern e Romero Lubambo - Um encontro de dois dos maiores guitarristas do mundo. Quando músicos dessa magnitude dividem o mesmo palco, as possibilidades são infindáveis. Mike Stern e Romero Lubambo têm um incrível entrosamento onde focam suas raras sensibilidades na direção da música, que vai direto ao coração dos ouvintes. Nesse encontro, os extraordinários guitarristas, mostram também o quanto têm em comum especialmente no que se refere a fluência em vários estilos musicais: jazz, rock, blues, funk...

Michael Hill - Rio das Ostras 2007
Michael Hill - É reconhecido como um dos mais talentososcompositores e guitarristas do blues moderno pela Living Blues Magazine, a bíblia do blues. Nascido em NYC e criado no sul do Bronx, teve contato com a música de Harry Belafonte, Jackie Wilson, Johnny Ace, Elvis Presley e muitos outros da coleção de discos do seu pai. Sua mãe e a avó também cantavam e tocavam piano em casa e Michael teve algumas aulas de piano aos sete anos e cantou na escola e no coral da igreja. Jimi Hendrix foi o culpado pela mudança de rumo e sua principal inspiração e amor pela guitarra elétrica. Michael aprendeu muito com seus heróis, em especial a importância da originalidade. Com mais de 10 aclamados álbuns como bandleader e dezenas de participações em álbuns de outros artistas, Michael Hill e seu Blues Mob seguem com shows por todo o mundo com sua música de muita energia que mistura o antigo ao novo criando assim o, New York Style blues. Canto vigoroso, guitarra deslumbrante são a mistura envolvente que deixam o público se sentindo bem, o tempo todo. O Blues Mob é: Michael Hill (voz, guitarra) Michael Griot (baixo e vocais) Bill Mc Clellan (bacteria e vocais) David Barnes (gaita).

Duke Robillard Foi um dos membros fundadores da Roomful of Blues, bem como um dos guitarristas que substituíram Jimmie Vaughan nos Fabulous Thunderbirds, em 1990. Entre esse tempo, Robillard seguiu uma carreira solo mergulhando no blues, rockabilly, jazz, rock & roll, criando uma fusão única de música de raiz americanas. Em 1967, Duke Robillard formou o Roomful of Blues, liderando a banda através de várias mudanças de formação antes de ele decidir que estava cansado do grupo. Robillard se ligou ao selo Stony Plain em 2002, e começou uma corrida constante de lançamentos para a marca, incluindo um dueto com o guitarrista de jazz Herb Ellis em Guitar Swing (2003). Em seus mais recentes lançamentos, voltou para suas primeiras influências de R&B.

Big Time Orchestra - Principal banda curitibana em atividade, com mais de 400 shows no currículo, a Big Time Orchestra tem sido destaque nos principais festivais internacionais e nacionais e programas da TV brasileira. Com a canção Clotilde, em 2010, a Big Time Orchestra estreou com um videoclipe na MTV, gravado nos Estados Unidos nas cidades de Las Vegas e Los Angeles, traduzindo o perfil do grupo com coreografias, movimentos, irreverência e descontração dos 12 integrantes. Há pouco mais de dois anos, o grupo lançou seu primeiro CD e DVD Ao Vivo no Bourbon Street que teve repercussão internacional, com mais de 15 mil cópias vendidas, além de shows efetuados em países da América Latina, além de Japão e Estados Unidos. A Big Time Orchestra tem um repertório de canções autorais, parcerias com compositores e versões criativas de músicas de sucesso de artistas, como Beach Boys, Elvis Presley, Ray Charles, Creedence Clearwater Revival, Rolling Stones, Ultrage a Rigor, Raul Seixas, Jorge Ben Jor, Tim Maia, Chuck Berry, entre outros.

Celso Blues Boy - Não são muitos os artistas que podem se gabar de ter criado uma linguagem musical. Robert Johnson, Frank Sinatra, Chuck Berry, Elvis Presley, Jimi Hendrix e a lista avança. Nesse seleto grupo de excepcionais, Celso Blues Boy arruma uma vaguinha por ter dado um sotaque brasileiro ao blues, um gênero norte-americano (ou africano, em suas raízes mais profundas) por excelência, e com ele feito sucesso avassalador ao ponto de ser, ao mesmo tempo, lenda, ídolo e referência. A revista Backstage colocou Celso entre os 20 maiores guitarristas da história; BB King, expressão máxima do blues, o reverenciou ao dividir palcos e estúdio com ele e o convidar para fazer carreira nos EUA. Tocou no célebre Festival de Montreux, na Suíça. Gentilmente recusou o convite da banda The Commitments, do filme cult de Alan Parker, para integrar suas fileiras. O fato é que a história do blues brasileiro passa por Celso Blues Boy desde os anos 70. Com apenas 17 anos integrou o grupo de Raul Seixas, depois acompanhou Renato e Seus Blue Caps, Sá & Guarabira e Luiz Melodia e participou das bandas Legião Estrangeira e Aero Blues, considerado o primeiro grupo de blues do Brasil. Sua estréia solo foi em 1984 com Som na Guitarra, um clássico absoluto, não só pelos hits que contém Aumenta que isso aí é rock'n'roll e Blues Motel, mas por espalhar aos quatro cantos do país a notícia de que havia bom blues sendo feito no Brasil.

Cama de Gato - Com seis CDs na bagagem, o grupo instrumental  foi fundado em 1985 pelos músicos Pascoal Meirelles (bateria) e Mauro Senise (sax e flauta). Até 1994, lançou três CDs, sendo que o primeiro vendeu mais de 75 mil cópias, um feito para a música instrumental brasileira. A partir de 94, Jota Moraes assume os teclados e introduz o vibrafone em algumas faixas, o que dá ao som do grupo uma cor especial. Neste mesmo ano, Mingo Araújo se junta ao Cama de Gato, acrescentando sua percussão cheia de brasilidade. Mais dois CDs são lançados, Dança da Lua e Amendoim Torrado. Em 2003 sai Água de chuva. Uma das marcas registradas do grupo é trabalhar com composições dos próprios músicos. “Não é uma atitude exclusivista. É que gostamos de tocar nossas músicas. Não tocamos material alienígena”, brinca Pascoal Meireles.

Hélio Delmiro de Souza - Seguiu o caminho da música influenciado por seus irmãos Juca e Carlos. Com o primeiro aprendeu a tocar cavaquinho ainda criança e com o segundo criou o gosto pelo piano e violão. Na adolescência optou por ser violonista. Em 1965 formou sua primeira banda, Fórmula 7, composto por Claudio Caribé, Márcio Montarroyos e Luizão. O Grupo apresentava-se em bailes da zona norte do Rio, animando festinhas. Mas nas horas vagas tocavam sons que puxavam mais pro jazz, ritmo pelo qual Hélio seria reconhecido mundialmente. Ainda na década de 60 participou de shows dos cantores Elza Soares, Elizete, Miltinho, entre outros. Gravou discos e participou da tunê norte-americana de Elis Regina e Tom Jobim. Nos anos 70 produziu os álbuns de Clara Nunes e João Nogueira. Na década seguinte gravou os discos Emotiva (1980), Samambaia (1981), ao lado de César Camargo Mariano, e Chama (1984). Em 1991 lançou o CD Romã - Hélio Delmiro in Concert. Seu mais recente trabalho de estúdio, Compassos, chegou às lojas em 2004.

Armand Sabal – Lecco - O sensacional baixista africano nasceu em Ebolowa (Camarões) como o mais jovem membro de uma família de 10 irmãos e teve como primeira inspiração musical seus irmãos mais velhos Roger e Felix. Ambos contribuiram não só para o seu crescimento musical, como também para a história musical do seu país. Ainda adolescente, Armand começou a se destacar em meados da década de 1980 em Paris, como parte de uma nova geração de jovens músicos africanos cuja contribuição artística redefiniu o som da música no mundo. Desde então, esse especialista em criar pontes musicais entre culturas tornou-se um dos maiores baixistas do mundo, e um dos mais incríveis baixistas que usam a técnica do “slap”. Compositor, baixista, cantor e produtor, Armand lançará no Brasil seu novo CD Positive Army. Seus créditos podem ser vistos em CDs de Ray Charles, Sting, Seal, Brecker Brothers, John Patitucci, Stanley Clarke, Alejandro Sanz, entre outros.

Big Band 190 - É uma das formações musicais existentes na Companhia Independente de Músicos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Além de motivar e elevar o ânimo da tropa, leva aos mais diversos públicos música de alto nível. Criada em 1996 pelo então Comandante da Cia de Músicos, CAP PM MUS Cláudio Pereira da Silva, quando se apresentou pela primeira vez no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2011 participou do programa Caldeirão do Huck da Rede Globo, do Festival de Presépios, Teatro Nelson Rodrigues (Caixa Cultural) e no Teatro Municipal de Cabo Frio.

Orleans Street Jazz Band - Interação com o público é a grande tônica dessa contagiante street band (banda de formação acústica itinerante) de jazz tradicional e Dixieland. Em palcos ou em eventos de rua, é pura descontração e diversão. A banda tem um repertório amplo, dos mais tranqüilos aos mais animados, deixando um ambiente agradável com a qualidade musical e talento dos músicos que a compõe.

Big Bat Blues Band - Com quase vinte anos de estrada, a Big Bat Blues Band faz do blues tradicional sua marca registrada. Interpretando os grandes nomes e seus clássicos das décadas de 40 e 50, período em que o estilo teve seu auge no swing, nas letras e em sua linha melódica. Com composições inspiradas no dia-a-dia, o blues tem como tema principal a condição do seu intérprete, a vida dura, e, lógico, mulheres, uísque, uísque e mais uísque. Muddy Waters, John Lee Hooker, Sonny Boy Williamson e Elmore James são alguns dos nomes mais citados deste universo e presença certa em qualquer noitada regada a uísque e blues.

Arthur Menezes - Desponta no cenário do blues como um dos melhores músicos de sua geração. Aos 26 anos de idade e mais de dez de carreira, Menezes não só toca guitarra, mas compõe e interpreta de uma forma tão peculiar que impressiona até os grandes mestres. Em recente passagem por Chicago, onde ficou durante os meses de junho e julho de 2011, o músico fez com que ninguém menos do que Buddy Guy subisse ao palco por livre e espontânea vontade para tocar ao seu lado, no Buddy Guy's Legends. No show de Jimi Burns, na mesma casa, onde faria apenas uma participação na jam session, foi mantido no palco durante todo o show. O mesmo aconteceu no B.L.U.E.S, com Carlos Johnson e Big Time Sarah, com quem já havia tocado no importante Teatro José de Alencar, em Fortaleza, CE, no ano de 2008.

Gabriel Leite - Um dos mais talentosos multi-instrumentistas da nova geração, Gabriel Leite, acaba de lançar o DVD O Melhor vai Começar, no qual desenvolve o projeto de resgatar e valorizar a obra de grandes artistas nacionais, criando um novo conceito para a música instrumental genuinamente brasileira.

Fabiano Castro - O pianista iniciou-se na música aos 11 anos, no Conservatório Estadual de Juiz de Fora (MG) e depois, no CIGAM (Curso Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical) no Rio de Janeiro (RJ). Em Juiz de Fora trabalhou com Dudu Lima, Joãozinho da Percussão, Hélio Quirino, Big Charles entre outros. Criou o Trio Pró-Música de Jazz, com o qual gravou um CD ao vivo no Pró Jazz Festival, em 1999. No mesmo ano fundou o Grupo Scala de Jazz.
Em agosto de 2000, mudou-se para Nova York. Estudou no Harbor Conservatory, no Harlen, com Robert Blumental e participou de uma série de workshops na School for Improvisational Music (SIM) com Ravi Coltrane, Steve Colleman, Vijay Ieyr, Uri Caine, Ralph Alessis, entre outros. Em 2002 mudou-se para São Paulo, mais precisamente para o Morro do Querosene-Butantã. Lá participa de diversos projetos da comunidade (como o projeto Treme-Terra), ao lado de artistas como Dinho Nascimento, Aluá Nascimento, Tião Carvalho e Oswaldinho da Cuíca. Tocou na Orquestra Olho D`àgua, de música contemporânea brasileira, liderada pelo baixista Ricardo Zohyo.